domingo, 16 de maio de 2010

O essencial faz a vida valer a pena




Essa semana só consegui pensar nesse texto do Rubem Alves: O tempo e as jabuticabas.
De volta à ativa, a pergunta: "para que mesmo?!", me veio muitas vezes à cabeça.
O tempo corre e me vejo como a menina do texto de Rubem.
Quero roer o caroço do que importa. Do que vale a pena. Da matéria de que é feita a vida.
E ao olhar ao redor vejo minha saúde sendo consumida pelas mesmas mesquinharias, egos e mediocridades de que fala o texto.
Mas hei de voar, e me libertar das amarras que hoje prendem meus pés aos pés de gente que perde o essencial da vida em troca de poder, dinheiro, politicagens e outras podres ilusões.
Aqui vai o texto. E a foto que tirei ontem, da pequena amiga Betina, me traz a alegria do que vale a pena.
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Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse

amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'

O essencial faz a vida valer a pena.

8 comentários:

  1. aff, Sil. Chegou em hora oportuna! tks

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  2. é, acho que é isso ai. boa tradução do que vivemos e não mais queremos. bjos

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  3. Muito lindo!!!
    Amei....
    Tia Lena

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  4. roer o caroço Siiiiimmmm ! beijos amor saudades muitas

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  5. vamos buscar juntos a essência, que tal?

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  6. Ana Letícia Silva24 de maio de 2010 15:03

    Querida Sil,
    O texto do Rubem Alves é, sim, muito direto e importante. Gostei demais. Mas como você está escrevendo lindamente e verdadeiramente. Gostei mais de ler o seu comentário. Obrigada por compartilhar. Beijos com muitas saudades. PS: Esse blog é seu? Gostei muito!
    Letícia

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  7. Sil,

    Que deliciosa surpresa encontrar este blog. Diminui minha saudade. Só não me surpreendo com a beleza dos textos, a leveza de tuas reflexões e a capacidade que vc tem de compartilhar as coisas fundamentais. Só poderiam vir de ti.
    Beijos, Dé

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  8. O tempo e as jabuticabas - Rubem Alves.
    Esse poema é lindo.
    Realmente ele é um Mestre.

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